Guardei-te na minha gaveta enquanto expiava culpas que a maré baixa trouxe até mim!Repouso sobre o tapete de bambu, estico as pernas, contraio o ventre e endireito os ombros... penso-te: alto; fascinante e despreocupado!
Perguntei aos lírios que força os derrubara, qual o vento que os vergara e os acomodara naquele desalinho de raiva e torpeza.
Não me responderam!
E o seu silencio fez-me lembrar de ti: calados no falar, vivos na imagem! Falam as suas cores por eles, assim como os teus olhos nunca me foram mudos!
Porque te penso novamente?
Não, não é só por causa dos lírios...
Observei ontem, por alguns rápidos segundos, a tua sombra que desaparecia no antigo ginásio! Debaixo de um sol, branco de gelo, pressenti o teu movimento rápido e esguio... Segui o meu caminho e o meu dia foi igual a tantos outros: perdida neste desencriptar constante! E tu em cada palavra; em cada frase; em cada mensagem perdida...


