O desrespeito pelo espaço público em pleno centro de Coimbra!
Na passada Quinta-feira, dia 27 de Janeiro de 2012, encontrei uma mesa de plástico e um estendal despejados, num dos canteiros do parque de estacionamento da Rua Egas Moniz (Solum) em Coimbra, sob um pequeno contentor. Note-se que falamos de uma área servida, num raio de 40-50 metros, por todo tipo de pontos para recolha e reciclagem de lixo!
Na verdade, esta não é a única atitude deplorável que se pode observar nas imediações!
Vejamos o exemplo do parque infantil localizado na continuação do referido estacionamento.
Este espaço tem sido muito mal tratado por adolescentes que danificam os seus equipamentos e o sujam, ignorando, também eles, os vários cestos para o lixo, espalhados no seu interior. Do mesmo modo, a vedação de arbustos, plantada há cerca de seis anos, por altura da construção da referida área de lazer, ainda não fechou porque os utentes fazem a entrada pelo seu centro. Note-se que o parque é servido por QUATRO entradas laterais largas, devidamente pavimentadas e assinaladas!
Não se atribua tal atitude à pressa das crianças em entrarem no parque. Não! Os mutiladores destes arbustos são, na maioria das vezes, os adultos que as acompanham! De resto, o adulto a pisar os arbustos, com um pé de cada lado da vedação, a pegar na criança, passando-a para o interior, é uma imagem tão lamentável quanto recorrente, por estas bandas.
Pergunto-me que tipo de cidadania praticará o individuo que pega na sua sucata, sai de casa e, em vez de virar à esquerda no sentido dos contentores, prefere despejá-la no canteiro mais próximo. Pergunto-me acerca das proporções do desprezo que o segundo individuo nutre pelo espaço público, ao ponto de se recusar a dar mais cinco passos e, assim, não danificar a sebe.
Parece-me que não precisamos de mais evidências para afirmar que estes comportamentos nos colocam perante um desrespeito total por qualquer valor cívico, pelo espaço público e pela comunidade!
Quem despeja a sua sucata em plena via pública pensará que vive sozinho! Quem atravessa os filhos por cima da vegetação, não só despreza a comunidade em que se insere e o trabalho de quem zela pelos espaços, como ainda, de forma sistemática, transmite esses princípios à sua descendência!
Caros e pacientes leitores, não será verdade que Coimbra, o País e o Mundo, merecem melhores condóminos?!?
Maria Amélia Álvaro de Campos in
Diário As Beiras (30 de Janeiro 2012)
PS.: Porque tenho um contacto privilegiado com a autora, dou-me ao luxo de acrescentar uma fotografia ilustrativa do incidente. Aproveito, ainda, para informar que, coincidência ou não, a referida sucata foi retirada do canteiro, durante o dia de ontem.